Não gaste toda sua inteligência para ganhar a vida.
Pois é, o que fazemos a maior parte do tempo, talvez seja um dos principais motivos que ingressamos na escola e através do conhecimento criamos uma estrutura para que mais tarde começamos em uma profissão que nos faça realizar a tarefa de “ganhar a vida”. Tudo bem, é aceitável, precisamos ter um conforto, uma profissão que nos identifique, que nos gera o dinheiro que desejamos. Mas será que é só sobre isso que nossa vida se resume.
Você pode estar pensamento, mas eu estudei vários anos, faculdade, pós, doutorado entre outros vários cursos, para chegar nesse conhecimento e nessa renda, para ter esse carro, para ter este conforto e tantas outras coisas.
Tudo certo até surgir uma pergunta inquietante. E ai, consegue se sentir pleno o tempo todo depois disso? Felicidade é relativo, vamos lá então. Ao menos o sentimento de aceitação é preciso para que estejamos realmente conscientes, isso é inteligência, ao menos a inteligência de nossa essência, do contrario nossa capacidade evolutiva de armazenar informações e gerar imaginações está trabalhando contra seu mestre.
Confundimos inteligência com conhecimento. Ou até mesmo, e pior ainda com sabedoria. Todo esse estudo, toda informação adquirida, tem o potencial de uma pessoa construir um prédio, fruto do seu conhecimento. Essa mesma identificação com o conhecimento pode fazer ele se jogar lá de cima. Sabedoria é fruto da inteligência, mas não a originada do conhecimento das informações, a inteligência decorrente da consciência não identificada com o conhecimento intelectual.
Nosso corpo possui uma inteligência insondável, não é preciso ir muito fundo para percebermos, ou é preciso pensar para uma ferida se fechar? Você precisa pensar para um alimento se diluir, ou para seus órgãos trabalharem? Cada pedaço do nosso corpo é composto por essa inteligência magnifica.
Compreenda, essa inteligência também pode ser utilizada para compreendermos a vida, compreender quem realmente somos. Contudo assim que nos identificamos com uma ideia do que acreditamos ser, de quem somos, ou do que deve ser feito para alcançar a felicidade, perdemos muito da nossa percepção sobre a vida, sobre essa inteligência que está para além da compreensão da mente criada por conhecimentos e informações.
A inteligência que a grande maioria se identifica, criada pelo conhecimento experiências passadas é importante em nossa vida, para sabermos o que devemos comer por exemplo, para diferenciar o que nos faz bem ou mal, contudo não esta identificado apenas com nossos pensamentos, é sobre ter uma maior percepção, consciência sobre a vida.
O que eu quero dizer é que com essa identificação apenas com o conhecimento, com as crenças, criamos um mundo muito limitado, uma percepção da vida que não nos satisfaz, e gera uma incompreensão que nos impede de ter uma consciência maior sobre quem somos.
Com essa identificação nossos desejos começam a ser gerados por meio da comparação. E concluímos que felicidade é ter mais que alguém, ou ser melhor que alguém, porque é assim que essa criação da nossa mente, o ego, a personalidade se satisfaz. Mas refletimos, que maneira medíocre de se sentir melhor não é mesmo? De que alguém, precisa estar pior para se senti melhor.
Desta forma corremos a vida toda em busca do que nunca preencherá este vazio existencial, que é consequência da incompreensão de quem realmente somos, ou de nos identificar apenas com a inteligência que criamos. E passamos a depender sempre do exterior para nos sentir melhor, e pior ainda, por vezes partimos para vícios e hábitos ruins para termos momentos mais satisfatórios.
Acreditamos que não nos sentimos
realizados por nãos possuir tais bens, ou porque nós falta algo
ainda a vir do exterior. Contudo não precisamos ir longe, para ver
que não é ali que está a realização pessoal. Talvez por um
instante, mas, ainda assim, sempre será limita de alguma forma.
Então pode nos surgir a pergunta, se não usamos essa inteligência para ganhar a vida, e usufruir da forma que estamos acostumados, para que utilizamos?
Para nos livrar de todos os medos, para obter a verdadeira percepção de cada momento, para vivermos plenamente no agora. Para deixar de viver de crenças, ou de ideias em nossa mente. Para podermos relaxar sem a necessidade de remédios ou drogas lícitas e ilícitas, para compreendermos que todo sofrimento que existe na vida é apenas resultado de uma incompreensão, de uma inconsciência. Ou seja, para mudarmos profundamente a relação que temos conosco e com todos que passam por nós.
É fácil de não compreender o que acabei de falar, pois é difícil realmente de acreditar que uma vida assim é possível. Até mesmo porque o que nosso intelecto diz para nos em nossa cabeça é - ah uma vida assim só se eu tivesse milhões na conta, ou - ah pra acontecer isso só se eu não trabalhasse onde trabalho hoje, Ou nunca pode existir isso com a minha realidade de hoje.
Pois isso se torna inacreditável, em sua compreensão atual, em seu nível de consciência de hoje. Porque isso não é apenas uma ideia nova, não se trata de aumentar seu conhecimento sobre algo. Mas sim de mudar sua consciência, aumentar a forma de perceber a vida completamente. E compreender essencialmente de que independente do que sentimos, seja emoções alegres, seja angustia, seja medo, seja insatisfação, seja entusiasmos, todas essas experiências, acontecem dentro de nós, algo vindo do exterior pode se tornar uma chave para despertar certas experiências, mas necessariamente precisa de uma certa percepção nossa para experimentarmos.
Ou seja, toda identificação com conhecimento não nos traz a paz, tranquilidade, sabedoria realmente, porque toda essa identificação nos distancia da percepção da vida, e nos leva apenas a dimensão do conhecimento, da resposta formada pra tudo, da vontade e desejos incessantes por algo vindo de fora para nos satisfazer, alcançamos muito conhecimento que nos tira da real percepção da vida, pois nossa atenção fica apenas no pensamento.
O que eu quero dizer, se perguntar para qualquer pessoa nesse momento, se ela escolhe sofrer, se ela escolhe sentir medo, se ela escolhe ter certas emoções, logicamente responderá que não. E então porque acontece isso em sua vida. A resposta agora, talvez seja, porque sofrer é normal, faz parte da vida. Eu lhe afirmo, não faz parte da vida, faz parte do caso psicológico em que a maioria de nós vive.
É sobre compreender que podemos sim controlar a única pessoa que realmente possuímos esse poder, nos mesmos, fora de nos, nada é controlável, assim como não podemos prever o que acontecerá daqui a 10 minutos, mas dentro de nos é inevitavelmente responsabilidade nossa, o que acontece, ou como reagimos.
E para isso
acontecer é preciso mudar nossa consciência, sairmos da
incompreensão, inconsciência gerada pela identificação apenas com
o conhecimento adquirido, pois do contrário continuaremos a correr
atrás de ganhar a vida, correr atrás de algo do exterior para nos
preencher, ou esperar de atitudes alheias para nos sentir melhor, e
acreditar que é normal todas as situações que citei a pouco sobre
medos, sobre ter apenas momentos de satisfação, e não que todas as
relações ou experiências vindas do exterior não sejam
importantes, mas precisamos nos perceber melhor, perceber a vida não apenas pelos conceitos fixados, mas através da experiência.
E fundamentalmente perceber a inteligência divina que possuímos, nossa essência, que encontramos quando conseguimos desfazer a identificação com os pensamentos, conhecimentos adquiridos.
Para isso não é preciso colocar a fé em outro lugar, em outro momento, em algo lá em cima. Coloque sua atenção no agora, em você mesmo. Reconheça que a vida não pode ser apenas essas ideias que você tem, ou apenas essa percepção sobre a vida limitada que nossos pensamentos nos mostram, com nossa atenção toda nos pensamentos, que são apenas o movimento gerado por tudo que você já conhece, é passado, e raramente quando tocar no futuro irá lhe mostrar algo muito além do já conhecido.
Se todos nós estivéssemos
com nossa atenção no que realmente podemos ver, poderíamos ser bem
melhores. Bem mais perceptíveis, mas agora colocamos
nosso amor, nossa fé lá em cima. Amar a Deus é fácil, difícil é
conviver com você mesmo, com essa auto cobrança, e critica mental
que julga todo momento toda situação. Nada do que pode acontecer de
melhor conosco poderá vir de fora, de alguém ou lá do alto. Porque
o Deus que controla tudo, a inteligência divina que habita na fé,
também existe dentro de nos, porém precisamos deixar de dar a
atenção a criação da nossa mente, e reconhecer que nossa essência
é sermos ilimitados.
Saber que, se não conseguimos nos controlar, controlar nossas emoções é o sinal que algo está errado, e não será olhando pra fora que consertaremos. Assuma responsabilidade pelo que senti, reconhecer nossa essência requer humildade para enxergar o que a maioria não vê. Para através da desconstrução da barreira que criamos com a identificação apenas do conhecimento, percebermos que ganhar a vida é algo ínfimo, perto do potencial de autor realização que podemos alcançar.
E esse é um caminho, uma escolha que só você pode tomar. Não é preciso conhecer o mundo ou todo tipo de estudo para ganharmos a vida, faça uma pequena coisa, conheça a si mesmo, que ganhar a vida será uma brincadeira.
Um Grande Abraço - E vamos juntos no despertar da consciência.
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